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Conheça o Futuro da Engenhara - BIM

Construtoras apostam no BIM 4D para melhorar assertividade do planejamento de obras.

Por Janilton Maciel Ugulino dia em Engenharia Civil

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Embora ainda seja incipiente, a utilização do Building Information Modeling (BIM) pelas construtoras brasileiras aos poucos avança em sofisticação, indo além de funcionalidades como a geração de modelos virtuais tridimensionais e a possibilidade de verificação de interferências nos projetos (clash detection). A evolução aponta principalmente para a integração com as ferramentas de planejamento, o chamado BIM 4D. Nele, às três dimensões espaciais que compõem o modelo 3D, é acrescida a variável tempo, tornando-se possível incorporar ao modelo informações sobre cronograma, sequência de obra e fases de implantação. Paralelamente surgem iniciativas que visam a aproximar o BIM dos canteiros, para que informações obtidas junto às frentes de trabalho, sejam de progresso ou de atraso de atividade, possam automaticamente municiar as equipes de planejamento, facilitando a tomada de decisão sobre as intervenções necessárias, gerando mínimo impacto nos cronogramas. Também ocorrem simultaneamente experiências em direção ao BIM 5D, que integra às outras variáveis o custo, permitindo que o modelo seja utilizado para gerar quantitativos e orçamentos.

Ao permitir visualizar virtualmente e mais facilmente a progressão da obra, espera- se que o BIM integrado ao planejamento gere controles mais assertivos sobre os prazos de execução. Tal precisão decorre principalmente da maior confiabilidade das informações do modelo e da possibilidade oferecida às equipes de planejamento de explorar diversas formas de executar a obra, escolhendo entre as opções existentes a melhor estratégia de ação.

Além disso, diferente do que ocorre tradicionalmente, decisões que provavelmente seriam tomadas num segundo momento são antecipadas para a etapa de projetos. É o caso da logística interna do canteiro e de simulações de conflitos entre serviços.

Uso seletivo

Integrar o BIM ao planejamento pode induzir ganhos consideráveis para quem utiliza sistemas construtivos pré-fabricados e trabalha com prazos de execução exíguos. Em obras com alto grau de industrialização, a modelagem tem um importante papel no dimensionamento e na operação dos equipamentos de movimentação e também ajuda a programar com mais precisão a entrega dos pré-fabricados.

O BIM é utilizado em função da complexidade do projeto. Por exemplo um galpão simples pode não justificar o investimento em uma modelagem completa. Ou corre-se o risco de a obra ficar pronta antes do modelo. Já em outros projetos, os ganhos podem ser enormes com a modelagem dos trechos de maior ponto crítico e com maior grau de interferências.

A utilização do BIM 4D pode ser bastante flexível. É possível utilizar a metodologia para fazer modelos bem simples e simular o plano de ataque da obra de modo geral, ou para elaborar modelos mais detalhados para simular o ataque a uma etapa específica, como, por exemplo, a vedação.

Sintonia Fina

Para que tudo isso funcione, não basta construir uma sofisticada base tecnológica com um pool de softwares e licenças. As equipes de projeto, planejamento e orçamento precisam trabalhar de forma integrada. Eis o primeiro grande desafio para a maioria das construtoras.

Em algumas construturas a necessidade de integração está fazendo com que as empresa revejam todos os processos internos das equipes envolvidas (planejamento, orçamento, engenharia). Isso porque o que cada equipe faz hoje é diferente do que fazia antes. Não basta mais fazer só para a sua área. É preciso pensar no conjunto.

O grande desafio, é que, para haver a integração efetiva, os modelos não podem ser produzidos de modo aleatório. Eles precisam conter uma série de informações qualificadas demandadas pelo software de planejamento para a produção de gráficos e cronogramas.

 

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É fundamental, portanto, que o projeto nasça modelado de forma a atender às necessidades das etapas posteriores, no caso, do planejamento e do orçamento. As equipes de projetos devem estar totalmente aderidas ao processo executivo da construtora, lembrando que, quanto mais o modelo refletir sua execução, maior será o sucesso de sua aplicação.

Outra barreira que gradativamente vem sendo superada é a tecnológica. Desenvolver projetos em BIM exige a interoperabilidade de um conjunto de softwares e aplicativos.

Se por um lado ainda há muitos desafios a serem superados, um facilitador importante é a aderência e o entusiasmo dos profissionais, sobretudo dos recém-formados, em relação à nova tecnologia. Mas isso não exclui a necessidade de investirmos em capacitação para uso da metodologia BIM, que envolve novos fluxos e relações de trabalho.

Questões importantes ao planejar com BIM

Conheça o Futuro da Engenhara - BIMFonte: Adaptado do Manual de BIM: Um Guia de Modelagem da Informação da Construção para Arquitetos, Engenheiros, Gerentes, Construtores e Incorporadores, de Chuck Eastman et al. (Editora Bookman, 2014)

Fluxos de produção

Ainda que o BIM possibilite visualizar a execução da obra e permita o estudo de várias alternativas, a metodologia sozinha não fará mágicas no planejamento.

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Modelo 4D pode ser associado ao uso de tablets pelos engenheiros residentes, seja para o acompanhamento da obra, seja para atualizar a evolução do cronograma

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Alguns estudos do professor Carlos Formoso, da Universidade Federal do Rio Grande do sul (UFRGS), revelam que somente 30% do tempo de uma obra é utilizado para os processos produtivos. Os outros 70% são desperdiçados em processos que não agregam valor diretamente, como fluxos logísticos, atividades de inspeção, retrabalhos e fluxos de informação (o tempo que as pessoas perdem para saber o que, quando e como fazer as coisas).

Esse conjunto de atividades não agregadoras ainda não é contemplado nos softwares de 4D, pois o paradigma que eles utilizam é a reprodução do cronograma de Gantt associado com os objetos BIM", comenta Manzione, que enxerga impactos positivos do BIM na medida que a capacitação da equipe de planejamento e de obra, trabalhando juntas, consigam desenvolver um projeto do sistema de produção, onde os fluxos de materiais e de transportes sejam visualizados com o apoio do modelo 3D.

BIM 4D na prática

Visualização

Ao combinar um modelo 3D com sua evolução ao longo do tempo, o BIM 4D apresenta a sequência executiva de forma mais eficiente do que com um diagrama de Gantt tradicional.

Contribuição de partes interessadas

Por ser visualmente mais acessível, o modelo 4D facilita a troca de informações e de contribuições de agentes menos familiarizados com a engenharia e o planejamento.

Logística do canteiro

O modelo permite prever as melhores áreas de armazenamento de materiais, acessos ao canteiro, posicionamento de grandes equipamentos etc.

Coordenação da mão de obra

O modelo 4D facilita dimensionar e coordenar o fluxo de trabalho das equipes de mão de obra, inclusive em espaços pequenos.

Plano de ataque

O modelo 4D permite avaliar e comparar os diferentes cenários de planos de ataque e programações de serviço. Durante a execução, permite controlar melhor se o projeto está em dia ou atrasado.

 

Fonte: Adaptado do Manual de BIM: Um Guia de Modelagem da Informação da Construção para Arquitetos, Engenheiros, Gerentes, Construtores e Incorporadores, de Chuck Eastman et al. (Editora Bookman, 2014)

Autor: Janilton Maciel Ugulino
E-mail: janilton@lean.eng.br

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