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A 4ª Revolução Industrial Transformando a Construção Civil

Construtora será como uma montadora, produzindo produtos como uma linha de montagem, depois do projeto pronto e modelado em BIM, será feita a montagem do prédio.

Por Janilton Maciel Ugulino dia em Engenharia Civil

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A tecnologia vai entrar de vez em pauta na construção civil nos próximos anos. Esse é o cenário que a 4ª Revolução Industrial . E a mudança vai impactar e muito na cadeia de fornecedores e na mão-de-obra empregada, principalmente pela rede logística, que terão de se qualificar nos novos modelos de construção para atender à essa demanda.

 Comparada com outros segmentos da economia, como o automotivo, a construção civil tem muito a avançar quando o assunto é tecnologia. Mas esse cenário está prestes a mudar, pois o mundo está em constante mudança e agora em escala exponencial.

Acredito que a construtora vai ser como uma montadora de carro. Depois do projeto pronto, será feita a montagem do prédio. Os fornecedores vão entregar o material pré-fabricado, pré-moldado e técnicos especializados farão a montagem. Não haverá mais espaço para tijolo sobre tijolo”, temos que estar preparado e acima de tudo capacitado para esse novo cenário, pois quem faz obras como se fazia a 50 anos atras, vai ser engolido pelo mercado e quando digo engolido, é ficar desempregado e servir apenas de estatística para o governo.

Com papel fundamental em um canteiro, o mestre de obras, terá de dominar também os conhecimentos como o da tecnologia BIM (Building Information Modeling - Modelagem de Informações da Construção), que cria digitalmente modelos virtuais de uma construção e permite melhor análise e controle do que os processos manuais. O simplesmente o antigos mestres de obras serão substituídos gradualmente por técnicos em edificações, que é um nível mais elevado do mestre de obras, o qual as escolas técnicas já estão preparando esses futuros técnicos em tecnologia BIM.

Esse modelo de gestão em canteiro de obras creio que não tem mais volta. A construção civil vai se aproximar do modelo da indústria automobilística. Cada vez mais a construtora busca um sistemista (como é chamado o fornecedor de produtos acabados na indústria automobilística) que entregue soluções, não simplesmente mão-de-obra. Não quer mais quem forneça tijolo, quer a parede pronta, queremos comprar serviços e não produtos.

Acredito que essa nova configuração abrirá espaço para o micro e pequeno empreendedor especialista, o que vai ao encontro também à Lei das Terceirizações, que permite à construtora terceirizar a contratação de funcionários, isto é da sua atividade fim, não mais a meio. Em uma grande obra, a incorporadora vai continuar precisando de encanador hidráulico, gesseiro e quem faça o madeiramento e instale os vidros. Essa é a hora deles se qualificarem também como gestores do próprio negócio. Esses profissionais precisam se especializar e se colocarem à disposição do mercado, não somente de uma obra, mas de um mercado como um todo, pois como venho frisando e o mundo mostrando, estamos vivendo uma nova revolução industrial e como quaisquer mudança de era, as inovações são algo inevitável e como tudo quando surge novo tem que ser aprendido, sairá na frente quem absorver essas habilidades primeiro.

Empresas tipo Sebrae mantém o projetos em parceria com os Sinduscons e os Seconcis do Brasil inteiro para qualificar justamente pessoas que perderam emprego com a crise - cerca de 1 milhão de empregos formais foram cortados no setor desde o início da crise, em 2013. São cursos gratuitos para 13 diferentes formações - de mestre de obras a encanador - com o objetivo de mostrar a opção de microempreendedor individual e qualificá-los em áreas como fiscal e a gestão financeira. Eles aprendem a fazer um orçamento de obra, ter controle das finanças do negócio - separar das despesas pessoais - e também atendimento ao cliente, muito boa a iniciativa do Sebrae.

A ideia é dar qualificação para que esses desempregados pudessem fazer pequenas reformas para pessoas físicas. Mas com esse novo cenário, eles podem se tornar prestadores de serviço na cadeia, finalmente algo bem interessante para ajudar o mercado vindo do governo.

Segmento deve crescer em 2018 e voltar a contratar

As perspectivas da retomada de crescimento são boas. O Produto Interno Bruto (PIB) da Construção Civil no país deve crescer 2% em 2018 e, com isso, as empresas voltarão a contratar. Outro indicativo de que a curva se tornou ascendente é a perspectiva de investimento em habitação no período de 2017 a 2020, conforme estudo Construbusiness - Brasil 2020, construir, planejar, crescer. A pesquisa calcula que, em média, a construção de novas moradias deve mobilizar cerca de R$ 205,6 bilhões por ano nesse período.

Independentemente da posição que você ocupa, de pedreiro a engenheiro, é preciso estar preparado. Quem não está qualificado, não será contratado. Aprender a ter seu diferencial é essencial nesse novo cenário.

A Universidade Secovi-SP foi a primeira do gênero no setor imobiliário, criada justamente para ajudar a suprir essa lacuna. Em mais de uma década de atividades, já formou mais de 22,9 mil alunos. Profissionais como o mestre de obras também já aprimoraram seus conhecimentos na instituição. O que a universidade oferece é uma certa sofisticação para que eles possam entender melhor as orientações de profissionais como engenheiro e arquiteto.

Ninguém vai ensiná-lo (o mestre de obras) a cimentar, mas orientá-lo como economizar água, diminuir os custos no processo, conferir se os demais operários estão usando os equipamentos de proteção obrigatória, fazer leituras de projetos com tecnologia BIM, dentre outras informações cruciais para a redução de custo dos empreendimentos.

Historicamente, porém, a mão-de-obra que põe as paredes em pé na construção civil é formada por um contingente que aprende na prática, é qualificada pela própria construtora, ou faz os cursos como os oferecidos pelo Senai, que mantém espalhados por todo o país canteiros-escola. Conquistada a primeira vaga, essa turma normalmente não volta a estudar para aprimorar seus conhecimentos, literalmente eles terminam os estudos, rs.

A qualificação é justamente uma carência do setor. Isso porque o trabalhador não costuma se especializar por conta própria. Mais da metade (58%) dos trabalhadores com carteira assinada ampliou conhecimentos em ações propostas pela própria empresa. Nesse universo, 70% fizeram curso em Segurança do Trabalho, ou seja, não aprimoraram suas habilidades em si, conforme um estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Daqui pra frente, a âncora da economia deve ser a construção civil, não mais a agricultura. Vai ser preciso construir mais casas para os brasileiros morarem. Estimativa do Secovi-SP com a Fundação Getulio Vargas (FGV) prevê que serão necessárias 14,5 milhões de novos domicílios para suprir o déficit habitacional até 2025. O tamanho das famílias está diminuindo, menos pessoas por moradia.

Também acredito que o setor passará por uma grande revolução, com popularização de práticas que já ocorrem em outros países, como a impressora 3D na construção. Na Califórnia, nos Estados Unidos, na Índia, e na China já estão em testes equipamentos capazes de construir uma casa em poucos dias. Quando isso estiver pronto, o que parece coisa de ficção vai transformar o jeito de construir.

Esteja preparado para isso ou o mercado lhe engolirá.

Autor: Janilton Maciel Ugulino
E-mail: janilton@lean.eng.br

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